Bolsonaro, os líderes do centrão e boa parte dos ministros não são loucos nem inimputáveis. Podem e devem ser responsabilizados por seus atos.

Por Weiller Diniz

No manicômio bolsonarista coabitam destrambelhados com distúrbios leves, graves, crônicos e irreversíveis. Internaram-se nessa Casa Verde da insanidade os fanáticos religiosos, lunáticos variados, alienados políticos, psicopatas assassinos, delirantes de realidades paralelas, mentirosos compulsivos, empresários transtornados, hedonistas alucinados, piromaníacos golpistas, generais com síndrome de Napoleão de hospício, psicóticos nazistas, evangélicos histéricos, milicianos dementes, terraplanistas e inúmeras outras disfunções que alteram os processos mentais e afetam a percepção da realidade, confinando-os em um mundo semianimalizado.
A cabeça do rebanho, entretanto, é totalmente sã. Ao contrário da base amalucada, mulas sem cabeça manipuladas, os dirigentes apresentam uma lucidez aguda quando o assunto é se eternizar no poder e expropriar dinheiro público. São os “loucos” perfeitamente sãos. Nesse bando de desmiolados uma das alas da psiquiatria, a dos cleptomaníacos, não se desliga jamais da realidade. Hiperconectados a pilhagem dos tesouros públicos, os salteadores patológicos não rasgam dinheiro. Ao contrário, apagam os prontuários ofensivos do passado para frequentar o sanatório geral com desenvoltura para tungar o contribuinte e reforçar o patrimonialismo. Apenas se fingem de malucos para roubar.
Bolsonaro, os líderes do centrão e boa parte dos ministros não são loucos nem inimputáveis. Podem e devem ser responsabilizados por seus atos. Embora rodeados por mentecaptos, eles planejam e executam um projeto racional de destruição e desarticulação do Estado. Ao contrário da loucura patológica, cujos surtos provocam o rompimento com a realidade, eles são pervertidos, mas conscientes e, por isso, devem ser punidos com cadeia e não em manicômios judiciários.
A corrupção é real e está nos instintos básicos da psiquê governista. Tão entranhada que ambiciona até mesmo uma lavagem cerebral coletiva para fraudar a verdade e apagar a rapinagem. Reiterar a mentira, além de expediente nazista copiado por Bolsonaro e sua horda de birutas, é uma patologia. A tendência incontrolável para mentir também é conhecida como mitomania. O diagnóstico da agência “Aos Fatos”, quantificou o distúrbio de Bolsonaro. Em 2021 a média diária de declarações falsas ou distorcidas do capitão somou 7 falas enganosas/dia.
Em suas vadiagens delirantes pelo país, em uma despudorada propaganda política antecipada, ilegal e dilapidando o erário, o capitão da patranha repete uma impostura divorciada da realidade. Vem mentindo desbragadamente que não há corrupção no governo, a farsa internacionalizada na ONU em 2021. “Quando se fala em corrupção, nós temos o que falar: são três anos e três meses sem qualquer denúncia em nossos ministérios”. No caso de Bolsonaro, negar o inegável tem o inequívoco selo da má-fé, não da loucura.
Ministro da Educação, Milton Ribeiro, com os pastores Arilton Moura (ao fundo) e Gilmar Santos – Foto Reprodução
A crítica ala psiquiátrica da Educação, com casos de fúria e fuga de ex-ministros, sempre recomendou o uso da camisa de força. O último paciente, que recebeu a alta da conveniência, é um evangélico que abençoou o assalto da sacristia pública e benzeu uma legião de corsários viciados em internações nas padiolas do poder. O missionário do rebanho da má-fé, Milton Ribeiro, se comportava como beato em bordel. Segundo as denúncias que o abateram, dois pastores cobravam propina de prefeitos para acelerar a liberação de verbas. Um deles pediu donativos em ouro. O próprio ministro foi gravado confessando que a receita da fraude tinha o carimbo do Doutor Bolsonaro, o perverso Edward Hyde.
Não resistiu à gravidade das denúncias e foi expulso do hospício com o “coração partido”. Os pastores com os bolsos cheios de gratidão. Depois descobriu-se o superfaturamento de quase 100% na aquisição de ônibus escolares e diretores de órgão com veículos que custaram 30 vezes seus salários. Uma CPI é iminente. “São três anos e três meses sem qualquer denúncia em nossos ministérios”. Papo furado!
O mandato de Bolsonaro é o efeito colateral gravíssimo de um coquetel de drogas ilegais, um sossega leão contra o Estado Democrático de Direito aplicado na calada da noite pelo charlatão Sergio Moro e sua “equipe” de desatilados do Ministério Público. Na gestão atual a malversação de recursos públicos transborda malcheirosa e desmente a retórica embusteira. Todos os centros cirúrgicos de investigação e enfermarias para receber e encaminhar denúncias estão capturados por bajuladores tresloucados que desprezam a Nação e não distinguem o Estado de governos. Há corrupção grossa no governo. O que não há é governo na corrupção. O santo do pau oco, Milton Ribeiro, se juntou a outros expurgados pelo bolsonarismo. Foi despejado na vala comum de Abraham Weintraub, Velez Rodrigues, Carlos Alberto Decotelli, Ernesto Araújo e outros rejeitados pela escória.
As quedas nunca são atribuídas a corrupção, já que ela foi extinta por decreto. Apesar do édito aluado de Bolsonaro caíram por corrupção 5 falsas vestais da moralidade, os mais histriônicos. A PGR? Alienada. Tido como um dos últimos da linhagem mais histérica do bolsonarismo, Ricardo Salles foi chutado em junho de 2021. O demônio do
meio ambiente, exterminador de florestas e inimigo da natureza ardeu como a Amazônia, que incandesceu e apresentou o maior desmatamento em 14 anos durante a sua gestão. Além do aumento da devastação, promiscuidade com madeireiros e garimpeiros, notabilizou-se pela metáfora bovina na ensandecida reunião ministerial de 22 de abril de 2020, fértil em disparates. Sugeriu ao rei do gado para “ir passando a boiada” e flexibilizar regras ambientais, enquanto a pandemia dizimava brasileiros e monopolizava as atenções. Salles incinerou os mecanismos de fiscalização com o propósito de tornar o meio ambiente em um pasto privado.
Ele é alvo de um inquérito por ter interferido nas investigações sobre a maior apreensão de madeira da história. A PF sustenta que Salles participou de um esquema de tráfico ilegal de madeiras. O sigilo quebrado mostrou uma “movimentação extremamente atípica” de R$ 14,1 milhões. Coisa de louco. “São três anos e três meses sem qualquer denúncia em nossos ministérios”. Conversa fiada!
O general Eduardo Pazzuelo – Foto Orlando Brito
Reluzindo estrelas oligofrênicas, o general Eduardo Pazuello foi ministro da Saúde no primeiro pico da pandemia. Foi o responsável pela contratação em tempo recorde, de R$ 1,6 bi de uma vacina superfaturada, sem testes, nunca entregue e com todas as digitais do Palácio do Planalto e o do líder do governo Ricardo Barros. Em 08 de janeiro de 2021, quando desprezava as 170 milhões de doses ofertadas pela Pfizer e Butantan, Bolsonaro enviou uma carta ao primeiro-ministro da Índia pedindo a vacina do laboratório Bharat Biotech, a Covaxin. Dois dias antes de Bolsonaro fazer lobby pela Covaxin, uma empresa parceira do governo, a Precisa Medicamentos, já participava de reuniões na embaixada brasileira em Nova Délhi, tratando das agulhas da corrupção e iniciando a terapia da
prosperidade fácil.
A empresa pertence a Francisco Maximiano, amigo de Ricardo Barros que deu um calote de cerca de R$ 20 milhões no MS quando Barros era ministro. Os indícios de crimes geraram uma investigação por prevaricação contra Bolsonaro, que soube das denúncias pelos irmãos Miranda (um deputado e outro servidor do MS) e cruzou os braços. Apesar da sedação intencional, não há corrupção no governo, nem corruptos. Apenas malucos inofensivos. “São três anos e três meses sem qualquer denúncia em nossos ministérios”. Lengalenga!
Ainda sob a vigilância alheada de Pazuello, outro coronel com boa saúde mental, Marcelo Blanco, discutiu a compra de vacinas com um trambiqueiro, recebido inúmeras vezes no Ministério da Saúde, enquanto os laboratórios sérios, com regras para impedir a promiscuidade entre o público e o privado, mendigavam reuniões para negociar vacinas eficazes, seguras e mais baratas. O estelionatário Luiz Paulo Dominguetti, associado a um reverendo vigarista e outros malandros anônimos, acusou a cúpula do Ministério da Saúde de cobrar propina de 1 dólar por dose na intermediação de 400 milhões de imunizantes inexistentes da AstraZeneca. A denúncia estarreceu o país no auge da CPI do Senado.
Assim como no MEC, um evangélico aparvalhado, sem nenhum cargo no ministério, conseguiu abrir as portas do manicômio para vender vacinas que não representava e foi recebido por lá em pelo menos em 3 oportunidades. Mas no governo não há corrupção e nem corruptos. Apenas transes de devassidão, alterações temporárias da consciência com perda da honestidade. “São três anos e três meses sem qualquer denúncia em nossos ministérios”. Conversa mole!
Na pasta do Turismo Marcelo Álvaro Antônio foi acusado de envolvimento em escândalos de candidaturas laranja nas eleições de 2018 e caiu em 2020. O Ministério Público Eleitoral de Minas Gerais denunciou o ex-ministro do Turismo por três crimes envolvendo candidaturas laranja da cota destinadas às mulheres. Outras dez pessoas também foram
denunciadas. Os crimes são de falsidade ideológica, apropriação indébita eleitoral – quando o candidato se apropria dos recursos destinados ao financiamento eleitoral para usá-los em proveito próprio – e associação criminosa. A primeira baixa ocorreu logo no segundo mês da gestão Bolsonaro, quando o capitão demitiu o então secretário-geral da Presidência, Gustavo Bebianno, já falecido.
A demissão de Bebianno ocorreu em meio a suspeitas de que o PSL, por onde Bolsonaro foi eleito, usou candidaturas laranja nas eleições de 2018. Mas no governo não há corrupção, nem corruptos. “São três anos e três meses sem qualquer denúncia em nossos ministérios”. Lorota!
Paulo Guedes, anunciado como terapeuta para tratar todos os distúrbios econômicos surtou com o fracasso e com a revelação de possuir US$ 9,5 mi (mais R$ 50 milhões) em paraísos fiscais, imunes ao apetite insano do leão. Guedes deixou de ser sócio ou acionista, mas a família seguiu tocando o consultório da prosperidade nas Ilhas Virgens. A Lei de Conflito de Interesses é peremptória: ministros estão proibidos de atuar em empresas que possam ser eventualmente beneficiadas por suas decisões no governo.
Um dos pontos desse mandamento ético diz que é conflito de interesse “praticar ato em benefício de interesse de pessoa jurídica de que participe o agente público, seu cônjuge, companheiro ou parentes, consanguíneos ou afins, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, e que possa ser por ele beneficiada ou influir em seus atos de gestão”. Toda vez que o dólar sobe ele fica mais rico. Como médico ou como louco ele sempre ganha um pouco. “São três anos e três meses sem qualquer denúncia em nossos ministérios”. Caraminhola!
Valdemar da Costa Neto – Foto Orlando Brito
Bolsonaro se internou na clínica partidária de Valdemar da Costa Neto, um dos presidiários do mensalão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Costa Neto tem tiques irrefreáveis de delinquência. É uma velha cortesã compulsiva que, apesar da prisão e do enxovalho público, tem mania de mamata. Ele foi condenado em 2012 pelo STF a 7 anos e 10 meses de prisão e uma multa que ultrapassou R$ 1 milhão. Pouco, diante dos R$ 8,8 milhões do que amealhou como suborno para se amancebar com o poder. A deputada e ex-ministra de Bolsonaro Flávia Arruda é casada com José Roberto Arruda, cuja carreira é sinônimo de depravação e crime. Roberto Jefferson, também aliado de Bolsonaro, foi condenado e preso por corrupção no mensalão.  Apesar das sequelas do confinamento, passou a delirar contra o STF e o Congresso e foi trancafiado novamente.
O casamento de Bolsonaro no altar mor da corrupção com os mais desonestos corsários do centrão comprovam a pulsão pelo crime e pela rapinagem. Mas não há corrupção, nem corruptos no governo. Tudo delírio oposicionista. “São três anos e três meses sem qualquer denúncia em nossos ministérios”. Patranha!
Conhecido como 01, Flávio Bolsonaro comprou uma mansão com rachaduras do alicerce ao teto. O valor do imóvel – R$ 5,97 milhões – é mais que o triplo dos bens declarados pelo senador em 2018. Ao TSE, o patrimônio informado foi de R$ 1,7 milhão: um apartamento, uma sala comercial, 50% da franquia da fantástica fábrica de chocolates, um automóvel e investimentos. A escritura atesta a quitação de R$ 2,8 milhões de entrada e o financiamento bancário de outros R$ 3,1 mi. Aqui surgem muitas fissuras.
Houve um incremento de R$ 1,1 milhão no patrimônio em 2 anos. As 3 transferências bancárias para pagar a entrada somam apenas R$ 1,09 milhão dos R$ 2,8 milhões assinalados na escritura como quitados. Ele e outras pessoas foram denunciadas pelo MP do Rio de Janeiro. Todos os irmãos apresentam o mesmo sucesso no banco imobiliário doméstico e uma amnésia familiar sobre origem e licitude dos recursos. A máscara que Bolsonaro usava, da falsa simplicidade, caiu há tempos. A outra, de que não há corrupção no governo, está puída e contaminada. “São três anos e três meses sem qualquer denúncia em nossos ministérios”. Mentira deslavada!
​Bolsonaro bate muito bem da bola e, por isso, não queima o dinheiro público sozinho. Foi obrigado a socializar a grana dos contribuintes e privatizou o orçamento público com alguns congressistas a fim de amordaçar os pedidos de impeachment. Criou-se um orçamento secreto para repartir com os pseudoloucos, aqueles que não rasgam dinheiro. O esquema subterrâneo envolveu a destinação bilionária em emendas do orçamento público para parlamentares leais, que puderam definir onde seriam aplicados os recursos. Os princípios da administração pública de transparência, impessoalidade e economicidade foram anestesiados. Um ex-líder de Bolsonaro no Senado Federal, Francisco Rodrigues, também foi flagrado escondendo perto de R$ 30 mil em dinheiro na cueca. Mas não há corrupção no governo. São meras ilusões de desonestidade explícita. “São três anos e três meses sem qualquer denúncia em nossos ministérios”. Balela!
Flávio Bolsonaro e Fabrício Queróz
Outro nome imaculado e o mais íntimo do manicômio bolsonarista é Fabrício Queiroz. Socorrista informal do senador Flávio Bolsonaro, foi apontado pelo MP como operador do esquema delirante das ‘rachadinhas’. Queiroz, Flávio Bolsonaro e outros 15 foram enquadrados por 3 crimes: peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Fabrício Queiroz assistiu Flávio Bolsonaro por mais de dez anos. Um boletim do Coaf disparou o alarme das movimentações alucinantes que totalizaram de R$ 1,2 milhão na conta bancária de Queiroz entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. Queiroz, em fuga, foi preso em Atibaia em junho de 2020 no cafofo de Frederick Wassef, então advogado de Flávio Bolsonaro.
Depois foi para a internação domiciliar junto com a esposa que teve o mesmo benefício, mesmo sendo uma foragida. Walderice dos Santos, a Wal do açaí, foi funcionária fantasma por anos recebendo da Câmara dos Deputados sem nunca ter pisado por lá, mas não há corrupção. “São três anos e três meses sem qualquer denúncia em nossos ministérios”. Patacoada!
O Brasil aderiu à reforma psiquiátrica em 2001 na esteira da luta antimanicomial comandada pelo italiano Franco Basaglia. A nova lei aposentou a camisa de força, eliminou o sossega leão, priorizou o atendimento psicossocial e fechou manicômios gradualmente. Infelizmente, a chamada psiquiatria democrática não impediu que os celerados, que se fingem de loucos, assaltassem o poder após os desvarios golpistas de Curitiba, comandados pelo lunático Sérgio Moro. A Casa Verde de Simão Bacamarte, outrora em Itaguaí, está sob nova administração de um psicopata que, surtado, gravita entre a insônia e a insânia. A interdição eleitoral e o confinamento político são imperiosos.
Alienista de Machado de Assis
O risco – como profetizou Simão Bacamarte no “Alienista” de Machado de Assis – é que a loucura, antes “uma ilha perdida no oceano da razão”, vire um continente. No caso específico, antes que a decência vire uma ilha no oceano da corrupção. “São três anos e três meses sem qualquer denúncia em nossos ministérios”. Impostura!
Na expectativa da alternância no poder, diagnosticada pelas pesquisas, os que gravitam no sanatório bolsonarista vivem sob severa fobia eleitoral – remediada a base de baterias de ansiolíticos – e aterrorizados pelo transtorno do pânico, com tremores, sudorese, palpitações, dores agudas, perda de controle, turvação da realidade, tonturas e ataques de ansiedade extrema. Os números eleitorais indicam que as convulsões delirantes tendem a se agonizar de maneira irreversível até outubro. O idiotismo, a logorreia desconexa e mitomania chinfrim assumem, progressivamente, um estado crepuscular de perturbação permanente evoluindo para comportamentos agressivos e irracionais.
São três anos e três meses sem qualquer denúncia em nossos ministérios”. A terapia eficaz, redentora e definitiva contra a insanidade autoritária e a mentira é a lucidez do voto.

Fonte: Os Divergentes

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