“Cristofascismo” é um termo cunhado pela teóloga Dorothee Solle na década de 1970 para descrever o Fascismo Cristão como ideologia e suas várias expressões.
Nos últimos meses venho acompanhando (até de perto, devido a pessoas da minha família que aderiram a um dos seus efeitos, que denomino de “histeria patriótica”), algo que vem se tornando cada vez mais violento.
No Catolicismo essa “histeria” tem origem nas bases e ascende como uma espiral de um redemoinho: Desde leigos perseguindo padres, até sacerdotes que vigiam os passos de bispos “rebeldes”.
Nas devoções marianas é ainda mais complexo, pois estas fogem do controle institucional. A quantidade de mensagens diárias é tão grande (e tão contraditórias em seu conteúdo) que chega a ser impossível acompanhá-las, inclusive por estudiosos: É um emaranhado de profecias apocalípticas, alertas Anti-Comunismo, até Maria convocando passeatas em defesa do Presidente.
Do lado Evangélico/Protestante vimos perseguições veladas a pastores e fiéis, o uso diplomático da máquina pública em favor de Igrejas acusadas de crimes no exterior, até lideranças pentecostais da Marcha para Jesus se tornando “influencers” da cúpula do Governo Federal.
Até certos bispos carismáticos se utilizaram dos púlpitos para veicularem sermões eivados de preconceitos e fake news, disfarçados de defesa da “sã doutrina”. O que os une? Os discursos de ódio contra as instituições democráticas do país e os “Impatriotas”.
E no Espiritismo médiuns arrebatam milhares em palestras, cujas mensagens psicografadas reduziram a doutrina de Kardec a uma “retórica espírita da prosperidade” ou “Espiritismo coach”, anunciando uma era de “consciência coletiva” para o Brasil, onde “Espíritos evoluídos” vão baixar nestes próximos dias para o “progresso da nação”.
No meio dessa histeria patriótica, é possível ver qual projeto religioso plantaram no país: A indiferença diante de tanta fome, desemprego e morte, tornou-se solo fértil para as sementes do Anti-Evangelho, da Necroteologia e do culto às armas e ao ódio.
E é sobre este manto que o Mal floresce.
Rafael Vilaça – https://www.facebook.com/rev.rafaelvec